SFT forma maioria para Condenação de Jair Bolsonaro
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão em

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, em um julgamento considerado histórico pela imprensa nacional e internacional. A decisão foi tomada pela Primeira Turma do STF, que o responsabilizou por uma série de crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
📌 Quais foram os crimes?
Bolsonaro foi condenado por cinco crimes distintos:
- Organização criminosa: 7 anos e 7 meses
- Abolição violenta do Estado Democrático de Direito: 6 anos e 6 meses
- Golpe de Estado: 8 anos e 2 meses
- Dano qualificado: 2 anos e 6 meses
- Deterioração de patrimônio público: 2 anos e 6 meses
Além disso, foi aplicada uma multa de 124 dias-multa, cada um no valor de dois salários mínimos, totalizando cerca de R$ 376 mil.
⚖️ Como foi a votação?
O placar foi de 4 votos a 1 pela condenação:
- A favor da condenação: Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin
- Contra: Luiz Fux, que votou pela absolvição
O voto de Cármen Lúcia foi considerado decisivo e simbólico, com declarações fortes sobre a defesa da democracia.
⏳ Quando ele pode ser preso?
Apesar da sentença, Bolsonaro não será preso imediatamente. O processo ainda precisa passar por etapas formais:
- Homologação da ata do julgamento (prevista para 23 de setembro)
- Depósito dos votos dos ministros (prazo de até 60 dias)
- Publicação do acórdão
- Prazo de 5 dias para recursos da defesa
Somente após o trânsito em julgado — quando não houver mais possibilidade de recurso — a pena poderá ser executada.
Atualmente, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar preventiva por descumprimento de medidas judiciais. Há possibilidade de que ele solicite cumprir a pena em casa, alegando problemas de saúde, como já ocorreu com outros ex-presidentes.
🧩 Há chance de anistia?
Antes mesmo da condenação de Jair Bolsonaro pelo STF, aliados do ex-presidente intensificaram as articulações por um projeto de anistia ampla no Congresso Nacional. A proposta visa perdoar os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e incluir Bolsonaro entre os beneficiados.
O movimento é liderado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, que tem atuado publicamente e nos bastidores para reunir apoio parlamentar. Ele defende que a anistia é necessária para “pacificar o país” e restaurar a confiança nas instituições.
No Congresso, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), tem sido uma das vozes mais ativas. Sóstenes classificou o julgamento como um “espetáculo armado” e afirmou que a única saída para o Brasil é a anistia, não por conveniência política, mas como instrumento de reconciliação nacional. Ele também tem articulado com líderes de partidos como União Brasil e PP para garantir apoio à proposta.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), outro filho do ex-presidente, está nos Estados Unidos, onde realiza articulações internacionais. Ele tem se reunido com figuras da direita global e denunciado o que chama de “perseguição política”, buscando apoio externo para pressionar o governo brasileiro.
Apesar da mobilização, ministros do STF, como Alexandre de Moraes, já se manifestaram contra a anistia, afirmando que crimes contra a democracia não podem ser perdoados. A proposta também enfrenta resistência dos presidentes da Câmara e do Senado, que ainda não sinalizaram disposição para pautar o tema.
🧠 Reflexão final: entre justiça e narrativa
A condenação de Jair Bolsonaro marca um capítulo decisivo na história política e jurídica do Brasil. Para seus críticos, é a resposta institucional a uma tentativa de ruptura democrática. Para seus apoiadores, trata-se de uma perseguição política travestida de legalidade. Entre os fatos jurídicos e as interpretações ideológicas, o país se vê diante de um impasse que ultrapassa os tribunais e alcança as ruas, o Congresso e até mesmo o cenário internacional.
Mais do que tomar partido, talvez o momento peça uma pergunta sincera: Estamos preparados para lidar com as consequências de nossas escolhas democráticas — mesmo quando elas envolvem figuras que dividem o país?





