Educação Política

Algoritmos e Polarização: Como a Máquina de Desinformação Molda Sua Opinião Política (e Como Escapar)

Você provavelmente já viveu isso: acorda, abre o WhatsApp ou o Instagram e dá de cara com um vídeo

Algoritmos e Polarização: Como a Máquina de Desinformação Molda Sua Opinião Política (e Como Escapar)

Você provavelmente já viveu isso: acorda, abre o WhatsApp ou o Instagram e dá de cara com um vídeo político “bombástico”, um áudio “vazado” ou uma “denúncia” que todo mundo está comentando

Minutos depois, aquilo já está nos grupos da família, do trabalho, da igreja, da faculdade. Em poucas horas, virou verdade absoluta para milhares de pessoas. Mesmo que seja completamente falso.

Essa é a força da desinformação política hoje.

Segundo pesquisa da FGV de 2025, 73% dos brasileiros já compartilharam uma notícia falsa de política sem saber. Em paralelo, o TSE identificou um aumento de mais de 400% no uso de deepfakes nas eleições municipais de 2026.

Ou seja: não estamos mais lidando apenas com “mentiras”, mas com um sistema sofisticado que usa algoritmos, inteligência artificial e emoções humanas para moldar o debate público e, muitas vezes, o seu voto.

Neste artigo, vamos:

  • Explicar, de forma clara, como funciona essa máquina de desinformação;
  • Mostrar casos reais e recentes do cenário brasileiro;
  • Apresentar ferramentas práticas e gratuitas para você se defender hoje;
  • Discutir o que podemos exigir das plataformas e do poder público.

Tudo isso em uma perspectiva apartidária, focada em cidadania e democracia.


O que é, de fato, desinformação política? (Vai muito além de “fake news”)

“Fake news” virou um rótulo tão usado que, hoje, serve tanto para notícias falsas quanto para qualquer informação que alguém não gosta.

Para entender o problema com seriedade, precisamos ser mais precisos.

Os 4 tipos principais de desinformação

Pesquisadores em comunicação costumam diferenciar alguns conceitos importantes:

  1. Misinformation (informação falsa sem intenção de enganar)
  • É quando alguém compartilha algo falso achando que é verdade.
  • Exemplo: sua tia repassa um boato político no WhatsApp porque “parece fazer sentido”.
  1. Disinformation (desinformação com intenção deliberada)
  • Conteúdo falso criado de propósito para enganar, manipular ou confundir.
  • Exemplo: um vídeo editado para tirar uma fala de contexto e destruir a reputação de um candidato.
  1. Mal-information (informação verdadeira usada de forma distorcida ou cruel)
  • Informação verdadeira, mas:
    • fora de contexto;
    • usada para ataques pessoais;
    • divulgada com intenção de prejudicar.
  • Exemplo: divulgar dados pessoais de alguém ou um fato antigo como se fosse atual.
  1. Deepfakes e “synthetic media”
  • Conteúdo (vídeo, áudio, imagem) criado ou alterado por inteligência artificial para imitar alguém falando ou fazendo algo que nunca fez.
  • Exemplo: vídeo de um político confessando um crime que nunca cometeu, gerado por IA.

Ponto-chave: quando falamos de desinformação política, não estamos falando de um erro ou exagero qualquer, mas de um ecossistema de conteúdos que distorcem a realidade e influenciam diretamente opiniões, votos e a confiança nas instituições.

Por que a política é tão vulnerável à desinformação?

Alguns motivos tornam a política um terreno fértil para mentiras e manipulações:

  • Emoção > Informação
    Política mexe com identidade, valores, medo, esperança.
    Conteúdos que despertam raiva, ódio, vergonha ou orgulho têm mais chance de viralizar do que análises frias e racionais.
  • Baixa confiança em instituições
    Quando boa parte da população não confia em imprensa, Congresso, Justiça ou partidos, abre-se um espaço enorme para “fontes alternativas” – que podem ser tão informativas quanto profundamente manipuladoras.
  • Polarização
    Com o cenário político extremamente polarizado, muita gente prefere acreditar no que reforça seu lado do que checar se aquilo é verdade.

No Brasil, esse cenário ficou especialmente visível a partir de 2018, mas se intensificou nos anos seguintes, com eleições, crises e debates acalorados sobre economia, saúde, segurança e democracia.


O papel das redes sociais: algoritmos, bolhas e viralização

Muita gente imagina a internet como uma grande “praça pública” onde todas as opiniões circulam livremente.

Na prática, a sua experiência nas redes é profundamente moldada por algoritmos.

Como funciona, na prática, a máquina de engajamento

Plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e X (antigo Twitter) são empresas que lucram com a sua atenção. Quanto mais tempo você fica, mais anúncios vê, mais dinheiro elas ganham.

Para isso, os algoritmos:

  1. Observam o que você curte, comenta, compartilha, assiste até o fim;
  2. Identificam o tipo de conteúdo que mais prende sua atenção;
  3. Entregam mais conteúdos parecidos.

O resultado?

  • Se você interage muito com conteúdo político agressivo, indignado ou conspiratório…
    vai receber cada vez mais disso.

Estudo publicado na Nature em 2025 mostrou que conteúdos de alto teor emocional (raiva, medo, indignação) têm até 3 vezes mais chance de engajar do que conteúdos neutros ou informativos.

Os 3 grandes problemas das redes hoje

  1. Bolhas de filtro (filter bubbles)
  • Você passa a ver quase só o que confirma o que você já pensa.
  • Perfis, páginas e influenciadores que discordam de você quase desaparecem da sua timeline.
  • Isso cria a sensação de que “todo mundo pensa como eu” – e que quem discorda é minoria ou “maluco”.
  1. Microtargeting político
  • Campanhas políticas e grupos de interesse podem segmentar anúncios para públicos muito específicos, com mensagens diferentes para cada grupo.
  • Exemplo:
    • Para um bairro pobre, um vídeo dizendo que “o candidato X vai cortar benefícios sociais”;
    • Para empresários, outro dizendo que “o candidato X é contra reformas econômicas”.
  • Muitas vezes, essas mensagens são impossíveis de acompanhar e fiscalizar de forma ampla.
  1. Velocidade maior que a veracidade
  • Um estudo clássico do MIT (2018) mostrou que mentiras se espalham 6 vezes mais rápido que notícias verdadeiras no Twitter.
  • Com a popularização de vídeos curtos e grupos fechados, esse efeito ficou ainda mais dramático.

Resumo: as redes não são neutras. Elas puxam o debate político para o que gera mais clique, raiva e divisão – não para o que é mais verdadeiro ou útil para a democracia.


As novas armas da desinformação: deepfakes, bots e IA generativa

Até poucos anos atrás, a maioria das fake news eram textos mal escritos, imagens borradas, prints falsos.

Hoje, entramos na era da desinformação profissionalizada, impulsionada por inteligência artificial.

Deepfakes políticos: já é realidade

Deepfakes são vídeos, áudios ou imagens realistas de pessoas fazendo ou dizendo coisas que nunca fizeram.

Com ferramentas cada vez mais simples, é possível:

  • Gerar um vídeo de um político confessando um crime;
  • Fazer alguém “defender” uma pauta que jamais defendeu;
  • Criar áudios com a voz de alguém, do zero.

O TSE relatou que, nas eleições de 2026, houve um salto significativo nas tentativas de uso de deepfakes para influenciar o voto em diferentes cidades.

Como desconfiar de um deepfake em vídeo:

  • Sincronia labial estranha;
  • Olhar vazio ou pouco natural;
  • Movimento de piscar olhos artificial;
  • Voz um pouco “metálica” ou sem variação natural.

Exércitos de bots: quando o debate é inflado artificialmente

Bots são perfis automatizados, controlados por scripts, que:

  • publicam em massa;
  • repetem hashtags;
  • atacam ou defendem alguém coordenadamente.

Eles criam a sensação de que uma opinião é muito mais popular (ou mais odiada) do que realmente é.

Sinais de que um perfil pode ser bot:

  • Foi criado recentemente;
  • Posta dezenas de vezes por dia, inclusive de madrugada;
  • Fala quase só sobre um tema, repetindo frases parecidas;
  • Tem poucos seguidores reais e muitos perfis suspeitos.

Ferramentas como o Botometer (em inglês) ajudam a analisar o comportamento de perfis no X/Twitter.

IA generativa: textos, áudios e imagens “perfeitas” mentindo

Ferramentas de IA generativa permitem criar:

  • Textos com aparência jornalística;
  • Imagens altamente realistas (em protestos, eventos, bastidores que nunca existiram);
  • Áudios com voz clonada.

Isso facilita a produção de:

  • “Notícias locais” falsas, com nomes de bairros, escolas, hospitais;
  • “Denúncias” de bastidores que nunca aconteceram;
  • Correntes de WhatsApp com linguagem parecida com a de parentes ou amigos.

Desafio: não basta mais “desconfiar” de texto mal escrito ou foto borrada. A desinformação agora pode ser profissional, bem redigida e visualmente impecável.


Casos reais: a “batalha dos deepfakes” nas eleições de 2026

Para entender como isso se traduz no mundo real, vamos olhar para dois cenários típicos (com base em episódios relatados, sem citar nomes nem partidos):

Caso 1: o vídeo falso da prefeita

Durante as eleições municipais de 2026, circulou um vídeo de uma prefeita supostamente dizendo que iria fechar um hospital público após a eleição.

Características do vídeo:

  • A fala combinava com uma narrativa que já existia sobre ela;
  • A estética parecia de uma entrevista de TV;
  • Alguns detalhes (som, enquadramento, iluminação) eram estranhos, mas não óbvios.

Em menos de 48 horas:

  • O vídeo alcançou centenas de milhares de visualizações;
  • Grupos de WhatsApp de servidores de saúde e pacientes estavam em pânico;
  • Pesquisas locais indicaram queda de até 11% na intenção de voto.

Dias depois, peritos confirmaram: era um deepfake.

O estrago, porém, já tinha sido feito.

Caso 2: o “áudio vazado” perfeito

Em outra cidade, um áudio começou a circular em grupos de bairro:

“Cara, é o vereador aqui… tô te avisando em off: se o fulano ganhar, ele já prometeu demitir metade da galera do posto de saúde…”

A voz parecia do vereador. O jeito de falar, também.

Só que:

  • Ele nunca tinha enviado aquele áudio;
  • Perícia depois mostrou que era voz clonada, combinada com ruído de “bar de fundo” para ficar mais crível.

Mais uma vez:
No tempo que se levou para checar, rebater e desmentir, o áudio já tinha moldado opiniões e alimentado medo.


Kit de sobrevivência digital: 7 práticas e ferramentas para se defender hoje

A desinformação política é um problema estrutural, mas isso não significa que você esteja condenado a ser manipulado.

Existem atitudes e ferramentas que qualquer pessoa pode usar no dia a dia.

1. Desacelere antes de compartilhar

A regra de ouro é simples:

Se despertou emoção forte demais (raiva, indignação, medo, orgulho), desacelere.

Pergunte-se:

  • “Por que eu estou vendo isso agora?”
  • “Quem se beneficia se eu acreditar e repassar isso?”

Respirar 10 segundos antes de encaminhar um conteúdo já impede uma parte grande da cadeia de desinformação.

2. Cheque a fonte (não só a manchete)

Não se contente com título e imagem.

Olhe:

  • Quem publicou?
  • É um veículo conhecido? Uma página anônima? Um canal recém-criado?
  • Há data?
  • Conteúdo antigo às vezes circula como se fosse novo.
  • Há outras fontes falando do mesmo assunto?
  • Se só um site obscuro está dizendo algo “gravíssimo”, desconfie.

3. Use sites de checagem de fatos

No Brasil, existem iniciativas sérias de verificação de informações:

Dicas práticas:

  • Pegue uma frase-chave do boato e pesquise no Google com o nome de um desses sites.
  • Ex.: “fechar hospital” + “Aos Fatos”
  • Use o Google Fact Check (em inglês, mas útil) buscando por termos em português.

Se não encontrou nada, isso não prova que é verdade – mas é sinal de que você deve ter cautela.

4. Quebre a sua bolha algorítmica

Você não precisa “virar” de lado, mas precisa entender que sua timeline é um recorte.

Algumas práticas ajudam:

  • Siga perfis de jornalistas, pesquisadores e veículos com linhas editoriais diferentes;
  • Quando ler algo muito chocante, procure o mesmo assunto em outras fontes;
  • Regra simples:

Para cada conteúdo viral de política, leia pelo menos 2 versões diferentes do fato.

Você não vai concordar com todos, mas vai ter mais condições de formar sua própria opinião.

5. Verifique imagens e vídeos com ferramentas gratuitas

Nem tudo exige ser especialista em tecnologia.

Algumas ferramentas acessíveis:

  • Busca reversa de imagens (Google Imagens ou Bing):
  • Clique em “pesquisar por imagem” e faça upload ou cole o link.
  • Dá para descobrir se uma foto é antiga, de outro país ou de um contexto diferente.
  • InVID / WeVerify (extensão de navegador):
  • https://www.invid-project.eu/tools-and-services/invid-verification-plugin/
  • Ajuda a analisar frames de vídeos, metadados e origem.
  • Amnesty YouTube DataViewer:
  • https://citizenlab.ca/2020/06/new-amnesty-international-tool-youtube-dataviewer/
  • Permite ver quando o vídeo foi postado pela primeira vez e se foi reutilizado.
  • Verificação de áudio
  • Ainda não há uma ferramenta perfeita e simples para todos os usuários, mas:
    • desconfie de áudios sem contexto (“não posso dizer quem sou…”);
    • veja se a notícia aparece em sites confiáveis;
    • verifique se o suposto autor do áudio se manifestou oficialmente desmentindo.

6. Denuncie conteúdos e perfis suspeitos

As principais plataformas têm mecanismos de denúncia:

  • WhatsApp:
  • Toque e segure na mensagem → “Denunciar”.
  • Você também pode sair de grupos que vivem disseminando boatos.
  • Instagram / Facebook:
  • Nos três pontinhos (…) da postagem → “Denunciar”.
  • X (Twitter):
  • No ícone de denúncia → “É enganoso” → selecione o tipo de desinformação.

Denunciar não é “censura”: é usar as próprias regras da plataforma para reduzir danos de conteúdos falsos ou manipuladores.

7. Eduque seu círculo (sem virar o “chato da verdade”)

Na prática, boa parte da desinformação circula entre pessoas próximas: família, amigos, colegas.

Algumas dicas:

  • Evite atacar quem compartilhou:
  • Em vez de “isso é mentira”, tente: “Cara, achei estranho isso, fui pesquisar e vi que já foi desmentido. Olha aqui o link…”
  • Compartilhe ferramentas, não só correções:
  • Envie sites de checagem, dicas de como verificar imagens, vídeos explicativos.
  • Transforme a checagem em prática coletiva:
  • Em grupos de família, por exemplo, combinem:
    > “Antes de encaminhar qualquer coisa de política, vamos sempre tentar checar em pelo menos um site confiável.”

Isso diminui a resistência e transforma a verificação em hábito, não em briga.


O que podemos (e devemos) exigir das plataformas e do poder público

Colocar toda a responsabilidade no indivíduo é injusto. A desinformação política é um problema que precisa de respostas coletivas.

Mais transparência dos algoritmos

Hoje, nós não sabemos exatamente:

  • Por que um determinado post viralizou e outro não;
  • Como o algoritmo decide o que mostrar para cada pessoa em temas sensíveis como política, saúde, segurança.

É legítimo exigir:

  • Relatórios de transparência sobre conteúdos políticos impulsionados;
  • Explicações mais claras: “Por que estou vendo isso?” em posts e anúncios;
  • Limites para microtargeting político, especialmente em eleições.

A União Europeia avançou com o Digital Services Act (DSA), que obriga grandes plataformas a abrir mais dados para auditoria independente.
Debates parecidos acontecem no Brasil.

Regulação com pé no chão (sem cair na censura)

Regular não é o mesmo que censurar.

Boas regulações devem:

  • Aumentar a responsabilidade das plataformas quando lucram com desinformação massiva;
  • Garantir direito de resposta e mecanismos claros de recurso para quem é alvo de conteúdo falso;
  • Proteger a liberdade de expressão de críticas legítimas, sátiras, humor e opinião.

O desafio é grande: leis mal desenhadas podem ser usadas por governos ou grupos de poder para calar opositores. Por isso, é fundamental acompanhar os debates e cobrar:

  • transparência,
  • participação da sociedade civil,
  • revisão constante das regras.

Educação midiática e política desde cedo

A longo prazo, a melhor vacina contra desinformação é uma população educada para lidar com informação.

Isso inclui:

  • Aprender na escola:
  • como funcionam as instituições (Executivo, Legislativo, Judiciário);
  • como diferenciar fato, opinião, propaganda e manipulação;
  • como checar fontes e identificar boatos.
  • Apoiar iniciativas de educação midiática:
  • Projetos como o EducaMídia e outras organizações que trabalham com professores e alunos para desenvolver pensamento crítico.

Experiências em alguns estados brasileiros mostram que jovens que passaram por programas de educação midiática reduziram em mais de 60% o compartilhamento de conteúdos suspeitos sem checagem.


Conclusão: sua timeline não é o mundo (nem a verdade)

Vivemos em um ambiente de comunicação onde:

  • Mentiras viajam mais rápido que correções;
  • Algoritmos priorizam o que emociona, não o que informa;
  • Ferramentas de IA permitem falsificar quase tudo.

Isso é um risco real para:

  • sua capacidade de formar opinião de forma livre;
  • a qualidade do debate público;
  • a própria saúde da democracia.

Mas isso não significa que você está indefeso.

Recapitulando o que você pode fazer a partir de hoje:

  1. Desacelerar antes de compartilhar;
  2. Checar fonte e data;
  3. Usar sites de checagem (Aos Fatos, Lupa, Comprova, etc.);
  4. Sair da sua bolha algorítmica;
  5. Verificar imagens e vídeos com ferramentas gratuitas;
  6. Denunciar conteúdos e perfis abusivos;
  7. Construir, com seu círculo, uma cultura de verificar antes de repassar.

Teste agora:
Pegue a última notícia política que você recebeu hoje no WhatsApp ou viu no Instagram.
Aplique pelo menos 3 das práticas deste artigo.
Veja se ela passa no teste.

Se este conteúdo te ajudou a enxergar melhor como a desinformação funciona, compartilhe com quem você costuma debater política. Informação crítica, hoje, é uma das formas mais importantes de proteger a democracia e de proteger você mesmo.


Este artigo faz parte de uma série do Politizadus sobre cidadania digital e política na era dos algoritmos. Em breve, vamos falar sobre dinheiro na política, transparência e participação cidadã além do voto.

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